quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Grupo de tricô Crazy knitting ladies

Para quem acha que um grupo de tricô reúne mulheres desocupadas, querendo preencher o seu tempo vago, vejam essa mensagem que recebi hoje, uma reflexão sobre a crescente busca por produtos importados para o tricô nosso de cada dia, considerando que a autora, Susana Barbagelata, foi muito lúcida e exata, vale a pena ler e pensar, mais que isso, começar a reivindicar.
" Valesca e todas, achei esse tema tão interessante que merece tópico a parte.
E acho que quem está aprendendo agora a tricotar, ou tricota há 40 anos com os fios e agulhas do armarinho da esquina deve até se assustar com os nossos papos de importação de kits addi e fios de cashmere e alpaca no exterior.
Não conheço a Lu Posh, mas acho que ela tem certa razão, quando diz que não importa se uma peça é tricotada com fio Família, se ficou linda.
Na verdade, a técnica é a mesma, para quem usa o fio de seda importado ou o fio Família, agulhas Addi ou as de plástico da Pingouin. Não é porque uso agulhas Addi que tricoto mais que essas senhorinhas que, com agulhinha de plástico, fazem centrinhos todos rendados que a gente vê por aí, e que dão até medo de tão delicados.
O lance é que, principalmente quanto às agulhas, essa onda de compras no exterior é plenamente justificada, porque é mais fácil comprar tóxicos proibidos no Brasil do que um bom kit de agulhas circulares. E vamos ser francas, em qq país do mundo onde se tricote, praticamente ninguém mais usa agulhas retas, porque as circulares as substituem com inegáveis vantagens.
Eu comprei meu kitzinho Denise e, mesmo sabendo que há melhores, como os kits Boye e agora o Addi, fico pensando como é que eu vivia antes sem um desses. O triste é que tem um monte de gente que também adoraria ter um kit como o meu e não tem grana, acesso à internet ou cartão internacional, ou seja, vai continuar preso às agulhas retas do armarinho da esquina.
Sexta-feira mesmo, eu estava no ônibus, tricotando meu xale vermelho com uma agulha do kit Denise (no ensejo, já terminei e até já usei), na volta do trabalho, quando sentou uma senhorinha do meu lado. Devia ter quase uns 80 e se amarrou nas minhas agulhas. Ficamos conversando e eu mostrei como a agulha soltava do fio e poderia ser trocada.
Ela contou que tricotava desde menina; que só conhecia circulares para gola; que achou super pratico tricotar nas circulares como eu estava tricotando, sem peso nas mãos e cutucões no vizinho.
Perguntou de cara se eu tinha comprado as agulhas por aqui. Tive de sugerir que ela pedisse a algum parente ou amigo em viagem para comprar, porque ela não tinha acesso a internet.
Vcs não têm idéia da quantidade de pessoas que senta do meu lado no ônibus ou na barca, quando estou tricotando, porque se interessou pelo tricô e pelas agulhas. E ninguém conhece, ninguém sabe onde encontrar.
Engraçado que eu estava pensando em escrever sobre isso há alguns dias, e agora acabei de ler o email da Bia, comentando que agulha é ferramenta, e ferramenta não tem preço.
É isso aí, definiu o que penso. Acho que, para quem gosta de tricotar, comprar um bom kit de agulhas, mesmo caro, não é nenhuma loucura.
Minhas agulhas Inox eu comprei na Alemanha, em 1986, quando eu tinha 16 anos, e estão aqui comigo, perfeitas, prontinhas para usar.
Já quanto aos fios importados, bem podem parecer supérfluo, mas sob uma criteriosa olhada, chegamos a conclusão que não é: afinal, fios de melhor qualidade duram mais e têm melhor caimento e toque.
Por outro lado, pelo menos quanto aos fios, tenho esperança de que logo a postura das indústrias será de disponibilizar aqui no Brasil fios de primeira qualidade, para as tricoteiras, que estão cada vez mais exigentes. "
E assim deve ser com tudo: com os alimentos que compramos, com os sapatos que usamos, com os veículos que dirigimos, com os brinquedos que nossos filhos brincam, porque se reclamarmos e mostrarmos que conhecemos o que é bom e durável e nos dá mais conforto e segurança,seremos ouvidos pela industria e pelo comercio que estão loucos para vender.
E revejam seus conceitos, caso estejam achando que isso é papo de mulher quando tricota, nos aguardem!

2 comentários:

Karen Burns disse...

Marcia querida, Já estou virando habituê aqui no seu espaço. Hoje resolvi tomar vergonha prestigiando seu espaço também agradecer os seu comentários sempre tão elogiosos. Voc~e é demais. Brigadão!
Bjs, Grace Karen

Rebeca disse...

Oi Márcia,
adorei ler o que vc escreveu e concordo plenamente ... ainda uso agulhas retas, mas depois que conheci as circulares um novo leque de possibilidades e praticidade se abriu!
abraços,